sexta-feira, 22 de abril de 2016

Procuro fotos escondidas
clandestina
desses rapazes que eu
(como dizer?)
me apaixonei
Tenho vasculhado
e me pergunto
para onde vai o amor
cujos resquícios ficaram
nos meus olhos marejados
todo o tempo
Eu realmente não sei
se é amor verdadeiro
ou só vontade de chorar

Natal, 2012

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Quem é daqui sabe
Do sangue que corre ao contrário
Das ruínas que eu construí
Em todas as cidades que visitei
Coleciono escombros em cartões-postais
Em um deles, meu coração em uma pedra ao sol
Todos os cartões dispostos em uma parede no meu quarto
Meu quarto fica em lugar nenhum
A cada cidade, algo é demolido
Uma casa inteira cai
Eu vivo um amor-poeira
Um caos que brilha
Um sorriso amarelo
Eu estava dentro de todas as casas que caíram
Meu corpo-pó
Meus homens-máquina
Minha visão turva
Minha intensa humanidade
Meus membros espalhados na construção
Meu mar de concreto

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Eu me quebraria inteira na sua casa
Os cacos espalhados na sala
Você me varre embaixo da geladeira
Enquanto eu procuro minha calcinha no chão

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Você me pergunta por que eu sou tão óbvia
Eu respondo que poesia é outra coisa

Mover-se é carregar o mundo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Acostumar-se com as borboletas que me saem pela boca muitas imensas pequenas algumas falam comigo algumas me queimam eu me lembro de vez em quando que borboletas ainda são insetos.

Vivo uma revolução por dia
E a cada dia
Todas as outras
Me parecem falsas e enganosas
Todas as revoluções
São definitivas e imensas
Nem mesmo Zapata
Zumbi
Tiradentes
Moveram o mundo
Quanto eu ao acordar