sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Decidir fazer é, simplesmente, não fazer.
Eu estou dentro.
E quero morrer.

Eu queria tanto, tanto, tanto...

desistir.

O que eu preciso é desistir

E eu querendo ser essa outra coisa?
Vou vomitar para dentro, vomitar para dentro
Existe o talento de desistir
E o que eu preciso é desistir
Estamos todos morrendo pouco a pouco
O que me matou foi o olhar alheio

domingo, 21 de novembro de 2010

Tanto me imaginei que não sei quem sou. Uma lembrança de mim. A mesma que tenho de um sonho de amigos, sonho que me deixou alegre. Penso em mim como algo que tenho conhecimento de uma vida passada. Entre mim e eu existe uma solidão de eras que só pode ser suprida através de formas mínimas de amor. Eu me tenho como uma desconhecida. Alguém que foi tão moldado que se perdeu na imagem. E em algum ponto ela se fragmentou, virando outras, das quais eu não tive mais controle. Só me resta, então, viver o mundo devagar, como quem tem medo do desequilíbrio. Eu me parti e me perdi. Cada parte de mim sente dor todos os dias e eu não sei, não sei onde é.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Caminho, digo, sigo em frente na minha vida, unicamente para a construção de mim mesma. Eu não sei bem como isso se dá e acho que há certo perigo em me confessar confusa. Mas, sei que ando acrescentando novas coisas a mim. Isso é sozinho porque você é só algo mais que eu incorporo. Infelizmente, ou não, não posso ficar, não consigo. Por isso, te deixo pra trás, tento esquecer o que chamo de angústia e entendo mais um pouco que não há onde pisa. Nada firme. Acho que há certo perigo em me confessar confusa.

sábado, 30 de outubro de 2010

Fecho os olhos para que meu corpo seja levado. Pelo tempo ou vontade de chorar. Nada. É só amor ou ausência, eu não sei especificar o que.

O passado me abraça, me embala, me ensina a dizer algo que eu não sei e institui a imagem constante de eu olhar pra trás sorrindo. Porque, dentro de mim, tudo sorri. Como o retardado que nada sabe, tudo sorri.

sábado, 9 de outubro de 2010

Em direção a muitas mortes, muitas vidas, meu caminho de agora.

Hilda Hilst

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sinto saudades de escrever aquilo que nunca falei. Sinto falta da ideia na qual não prestei atenção.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O tempo é meu. É meu aliado. Eu gostaria de não sair mais deste lugar porque há coisas, dentro de mim, que eu preciso conhecer. O tempo é o que eu tenho. O tempo em mim. Tempo e angústia. De repente, vejo que outros assuntos não precisam mais ser falados. Aquilo não é mais eu, só uma imagem que eu colo na parte dianteira dos meus pensamentos e eu preciso eliminar isso, o óbvio. Eu só estou em mim e não preciso tentar explicar meus caminhos porque eles existem para dar margem ao que eu não compreendo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Há muitos, muitos mundos dentro de mim. Eu gostaria de estar calma para aproveitar esta passagem. Para ver os tantos eus. Pode uma pessoa ter tantos caminhos diferentes? Tantas possibilidades de se perder?

A fé que há em adormecer suja, com a roupa da rua, em um quarto bagunçado. É como se eu estivesse segura. Nada poderia me atingir.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A violência sofrida fica marcada na gente pra sempre. Por isso que é melhor revidar.

sábado, 18 de setembro de 2010

Me cansei de ir atrás do outro para me completar. Não sei como não percebi a inutilidade disso antes, mas é que desde sempre é como se eu precisasse com urgência preencher algo. Eu achei que isso acontecia através da outra pessoa, mas não acontece e eu fui esperando cada vez mais um amor que não ou que vinha, mas eu não conseguia reconhecer.

Passo tanto tempo tentando ser uma pessoa que não sou pra me sentir menos sozinha. Isso não vale a pena.
Em se tratando do meu próprio corpo ou de algum outro, não tenho nenhum outro modo de conhecer o corpo humano senão vivendo-o. Isso significa assumir total responsabilidade do drama que flui através de mim, e fundir-me com ele.

Maurice Merleau-Ponty
Minha história não me quer dizer nada, não aponta para nada. Tudo é pouco, medíocre.Então, tenho quase certeza de que estou dentro de um longo sonho, no qual alguma coisa me foi revelada e todo o mundo me pareceu cheio de possibilidades diante de uma vida sem Deus e sem destino.
Sempre temendo algo invisível. Eu tenho urgência porque o mundo está prestes a acabar. Eles me desprezam porque não entendem. E eu estou atenta para algo. Eu sei de algo. Vai acontecer. Este prédio vai desabar. O mundo é todo um sonho e eu sei disso porque não me lembro o motivo de estar aqui.
Não é o milagre que me interessa.
Agora entendo o imenso vazio que aponta dentro de mim: é perplexidade.
Eu tenho vontade de socializar, mas acho que sou essencialmente sozinha. Perdida num pequeno espaço branco (se é pequeno, como eu estou perdida?). Ele não é tão pequeno quanto me sufoca. E eu preparo minhas próprias armadilhas, que finjo não notar. A mesma corda me puxou pelo pé e me apontou falsidade. Eu respondi não, não me entenda mal. É que eu só não estou à vontade no meu corpo.
Entre a melancolia e a agitação (a interna também); entre a necessidade de pertencer e de ir embora; algo de uma felicidade natural que se perde não sei como. Eu não sou apenas eu.
Eu me esqueço tão rápido de tudo que se revelou em um minuto, dentro do ônibus. Não dá tempo de dizer e seria, de qualquer forma, inútil. Como viver. A vida é uma falta de função. E a gente faz o que? Faz. Faz. Faz. Realiza. É para nada, mas, mesmo assim, é a única coisa possível. A única coisa que eu posso dizer. Vou fingir que é importante.
O Brasil é um país morto nas calças devido à falta de guerras. Eu fervilho por dentro e tenho medo de adormecer. Me acho feia.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eu me sinto à vontade na minha tristeza.
A proximidade da formatura e do meu aniversário certamente estão me deixando deprimida. Só faltava ser natal...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Minha vida vai se completando, os fatos vão se encontrando, eu volto, aos poucos, para mim.
Aí eu decido de novo que preciso de disciplina, lembro sobre o que gostaria de escrever, me envergonho por não ter feito nada. Aí sou eu de novo vivendo outras vidas, em mim nos outros. Sou eu regurgitando os mesmos sentimentos, lendo os poemas e me sentindo presa. Eu estou presa e sempre que tenho vontade de gritar volto atrás no tempo, decidindo que alguma coisa não foi dita. Quando deveria, quando ainda tinha fôlego, quando eu ainda imaginei um futuro, mas esqueci de anotar o que iria fazer.

Um pedaço, um pedaço, um pedaço de alguma outra coisa e que não vai se encaixar com os outros que já estão espalhados pelas minhas redes, cabelos, o piso de onde eu não os pude recolher dizendo venham venham venham até mim.

sábado, 14 de agosto de 2010

O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
Importância nenhuma.

Cecília Meireles

sábado, 29 de maio de 2010

Eu finalmente entendi algumas coisas. Como a falta de importância disso. É libertador.

sábado, 22 de maio de 2010

Não é que me falte coragem para começar. Definitivamente, não é isso. O que falta é um sentido básico de utilidade. Algo que tenha insistido o suficiente, dentro de mim, até o ponto de romper a resistência. Até se mostrar simples, necessário e presente. É isso que eu estou esperando.
"Estamos todos no mesmo ônibus. Fugindo da esposa sem-graça, do chefe atormentado, dos olhos azuis, do desejo de sumir (que desaparecem quando os folhetos imobiliários cruzam a porta, vindos com o jornal de domingo). Tenho sono - mas vou resistir"

sábado, 15 de maio de 2010

Eu não me permito deixar de me repetir. Eu não deixo de errar no mesmo cansaço. Todo dia eu olho de novo dentro de um jarro amarelo. Não cresceu nenhuma flor lá.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O problema dos bons momentos é achar que eles são apenas o começo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Eu continuo
ainda e para sempre
tentando tocar
o chão
com meus pés

terça-feira, 30 de março de 2010

"Consigo ver beleza em me refazer minuciosamente a mim e ao meu contexto. Modifico meus artigos, meus pronomes, para dizer ao mundo que gêneros há tanto quanto seres humanos. Consigo pensar em me desprender do padrão-base, mesmo que apenas momentaneamente, para possibilitar mais de uma visão sobre mim mesma (...) o sexo que faço diz respeito a mim e àquele que o experimentam"

(Léo Glück)

segunda-feira, 29 de março de 2010

EU FALO PARA MIM SOBRE ISTO

"Vai ter uma hora que eu vou ter que sair deste canto seguro do balcão. Vou ter que tomar uma atitude. Vou ter que exigir uma satisfação. E tenho plena consciência do quanto não serei querido por isso. Ouvi dizer que existem maneiras mais fáceis de ganhar a vida. Mas eu não me mantenho informado."

(Bortolotto)

domingo, 28 de março de 2010

sábado, 27 de março de 2010

"MEU CU PARA A FALTA DE OPÇÃO"


Nossa beleza e aventura futurista

Mesmo depois da morte do tempo e do espaço, a Companhia Silenciosa ainda canta o amor ao perigo, o hábito da energia e da intrepidez. Desde então a literatura exaltou uma imobilidade pesarosa, êxtase e sono. Nós exaltamos a ação agressiva, a insônia febril, o passo ginástico, a bofetada e o soco. Nada de sensíveis romances sobre necrofilia.

Nós afirmamos uma nova beleza: A beleza da velocidade e do artificial. O carro de corrida cuja capota é adornada com grandes canos, como serpentes de respiração explosivas de um carro bravejante que parece correr na metralha e a solitária boneca inflável com realísticos buracos de silicone cor-de-rosa, que são mais belos que a vitória da Samotrácia. Não há beleza fora da luta, nenhum trabalho sem caráter agressivo pode ser uma obra de arte.

Toda diva é a imagem plena da subversão ao padrão feminino extático e sem voz: toda mulher calada será por nós perseguida. Nós cantamos às grandes multidões excitadas pelo prazer e pelo tumulto; nós cantamos as canções das marés de revolução, multicoloridas e polifônicas nas modernas capitais: nós cantamos o vibrante fervor noturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas elétricas; cantamos o glitter e dança do acasalamento; pontes que transpõem rios, como ginastas gigantes, lampejando no sol com brilho de facas; a arte burlesca a wireless, as inconfiáveis fiações terrenas e a carnalidade virtual sem depositório físico; a cinta liga, o salto alto e a perna desnuda; e o vôo macio de aviões cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como público entusiasmado.

Preferimos ser idiotas a ficar obcecados pela morte. A nossa arte é feita de excesso, sexo, superabundância, assombro. Usamos nossos desejos verdadeiros para caminhar em direção à auto-realização, à beleza e à aventura. Nossa bomba negra explode em esperma e estalos, ervas hilariantes e pirataria, estranhas heresias xiitas e fontes paradisíacas borbulhantes, ritmos complexos, pulsações de vida, tudo o que for sem forma e raro. E, ainda, de lambuja, debochamos do fetichismo elitista de niilistas patéticos, o autodesprezo gnósticos dos intelectualóides 'pós-sexuais'.

Programa do espetáculo "Burlescas", da Companhia Silenciosa.

sexta-feira, 26 de março de 2010

PUBLICADO NO SUBSTANTIVO PLURAL

Por Marcos Silva

Amigos e amigas:

A performance de Pedro Costa, registrada na notícia sobre o Salão de Artes Visuais, pertence a uma linhagem clássica da modernidade que remonta, ao menos, a Man Ray (a bela fotografia “La prière”, de 1930, que pode ser localizada em qualquer site dedicado a esse autor) e a uma montagem do Teatro Oficina, a partir de texto de Antonin Artaud, “Para dar fim ao juízo de Deus” (um ator defecava em público, recolhia a matéria em pequena urna de acrílico, que circulava de mão em mão), sem esquecer do “Soneto do olho do cu”, de Rimbaud e Verlaine.

Certamente, é difícil comentar uma performance a partir de descrição e fotografia. Tive a impressão, sem assistir ao ato, que a cena foi superior a sua explicação pelo artista – excessivamente didática, apelando para lugares comuns. E um terço saindo do ânus é diálogo entre as partes: sacralização do órgão humano, humanização do objeto sagrado. Prefiro não reduzir a cena a uma visão degradada do ânus nem a uma visão degradante do objeto ritual religioso. Melhor encarar a humanização de tudo naquele íntimo encontro: o ânus como fonte de tudo.

Abraços a todos e todas.

Publicado aqui.

Mais no blog do grupo Destemidx.

quinta-feira, 25 de março de 2010

SOBRE O AMOR

De você eu só espero o melhor
A mão no peito antes de dormir
Uma oração silenciosa
A profunda hilariedade
Que é a vida em comum com outros
Que não são como nós
Eles não são nós dois
E nunca vão saber
Do que estamos rindo
A sabedoria de entender
Que o amor vai passar
E nós estaremos
De olhos abertos

VIDA - COMPANHIA BRASILEIRA DE TEATRO








Fotos: Bruno Tetto

SOBRE VOLTAR AO MESMO LUGAR



Eu sempre sinto medo de sair de casa. Principalmente dias antes de pegar o avião. Mas eu sempre insisto em sair. Dessa vez, eu tive medo dos problemas no meu trabalho, da questão do dinheiro, de não ser bem recebida em cidades estranhas (boas e más surpresas me aguardavam).

O negócio é que, independente disso, eu sempre sei, lá no meu íntimo, que eu preciso ir embora. Que é preciso se deslocar. Que Natal me entorpece e não é isso que eu quero. Nunca foi. Desde pequena.

Curitiba, onde eu fiquei mais tempo desta vez e onde ainda estou, me despedindo sem vontade de voltar, me irritou e deprimiu, logo de cara. Mas aí eu me apeguei um pouquinho a esse lugar. Ao movimento, ao ar de interior, mas onde você pode achar coisas completamente inusitadas (São Paulo é uma cidade adorável, mas uma cidade de malucos. Quem vai pra lá precisa saber disso), ao Centro bonito e cheio de gente, a noite que nem tá tão fria assim essa época.

Aqui eu conheci o Bortolotto, o que mudou minha perspectiva em uma série de coisas. Quer dizer, não é preciso se importar de verdade. Eu sou apenas o que sou.

Mas eu resolvi escrever isso aqui só pra falar sobre o espetáculo "Vida", da Cia. Brasileira de Teatro, que é da cidade. Ele fala sobre quatro pessoas que estão presas em um lugar. E esse lugar faz parte delas, mas elas estão presas. Eu também me sinto assim e, por isso, vou voltar meio à contragosto. E o medo de esse sol todo me amolecer?!

Eu volto pensando que o melhor de Natal são as pessoas que eu, muito sabiamente, deixei/fiz com que me cercassem. Tem o meu menino Yuri, tem o Juão que eu só pude conhecer melhor aqui, tem o Sandro e a energia toda dele (isso já me alimenta) e a sombra da casa dele também, tem o Paulo e o nosso sentimentalismo compartilhado, tem a Débora e as muitas, muitas risadas que eu dou com ela (eu sempre vou pra casa achando que tudo é mais feliz). Tem mais gente que eu não vou falar aqui.

São só vocês que me mantêm na terra das pinturas de cajus.

"Se o sol se cansa/E a noite lenta/Quer ir pra cama/Marmota sonolenta/Eu, de repente/Inflamo a minha flama/E o dia fulge novamente/Brilhar para sempre/Brilhar como um farol/Brilhar com brilho eterno/Gente é pra brilhar/Que tudo mais vá pro inferno/Esse é o meu slogan/E o do sol" (Maiakovski)

quarta-feira, 24 de março de 2010

SOBRE O GASTO DE ENERGIA A TOA


Eu entendo (guardadas as devidas proporções) as manifestações de ódio que cercaram a performance do Pedro Costa no Salão de Artes Visuais de Natal. As religiões dão às pessoas um lugar no mundo e, enfim, "profanar" (estou usando palavras alheias, não considero profanação) um terço é demais pra cabeça da maior parte delas.

E exatamente por ser muito pra mentalidade alheia é que a "Rosário do Anus" se torna significativa e levanta as questões que se propõe a levantar.

Para mim, por exemplo, a pergunta que fica é: Pra que tanto gasto de energia à toa? Eu nunca vi ninguém esbravejando por causa da chacina da Candelária, eu nunca ouvi falar de ninguém ser ameaçado porque roubou dinheiro público.

Quer dizer, em última instância, a ação do Pedro é uma coisa que só prejudica/beneficia ele mesmo. Se você católico, evangélico, ou o que o valha, quiser ignorá-lo, pode continuar lendo sua bíblia e frequentando seus ritos sem nenhum empecilho. Vejam que de forma prática a performance citada não gera absolutamente nada.

Então pra que todo esse chilique? Algum problema com o seu próprio cu (sério)? Você tem medo de as manifestações cristãs acabarem por conta de uma performance realizada em Natal/RN? (Tome nota que o próprio Papa deve ter coisa mais séria pra se preocupar).

Por favor, senhores mal resolvidos, direcionem sua raiva pra algo mais produtivo, como criticar a prefeita retardada, participar de algum movimento social ou, simplesmente, ver um filme que ampliem mais o mundo de vocês. Porque é evoluindo que a gente vai viver melhor em sociedade e não condenando manifestações artísticas sem sequer parar pra pensar no que se diz.

P.S.: Acho o problema com o anus em si um tópico à parte. O mal foi ele tirar o rosário do cu? Se você da boca ou da orelha não ia ter problema? Não. Aí ia ser considerado um truque de mágica. Olha só que coisa.

Foto: Tom Zé com uma bolinha no dito cujo, na capa do seu CD "Todos os olhos". Será que ele sofreu ameaças por isso?