Para ser
Poeta
É preciso
Aprender
A comer
O tempo
quinta-feira, 22 de junho de 2017
quarta-feira, 21 de junho de 2017
A manhã nasce da minha boca
No sonho quase acordado
Quase real
Em que eu sou um cachorro
Dando voltas infinitas
Atrás do próprio rabo
Outro dia eu sonhei
Que era um cão
Morrendo sozinho
Atropelado
No asfalto quente
E acho que essa é a imagem
Mais triste que existe
No espelho eu tento
Não ser tão sombria
Não ser tão sozinha
Mas, eu tenho mãos
E não sei o que fazer com elas
Além de
Segurar meu coração
Em frente a pia
E ele sempre me escapa
Escorrega
Enfim
O tempo é uma bomba
Dentro da minha cabeça
E eu não sei falar sobre nada
No sonho quase acordado
Quase real
Em que eu sou um cachorro
Dando voltas infinitas
Atrás do próprio rabo
Outro dia eu sonhei
Que era um cão
Morrendo sozinho
Atropelado
No asfalto quente
E acho que essa é a imagem
Mais triste que existe
No espelho eu tento
Não ser tão sombria
Não ser tão sozinha
Mas, eu tenho mãos
E não sei o que fazer com elas
Além de
Segurar meu coração
Em frente a pia
E ele sempre me escapa
Escorrega
Enfim
O tempo é uma bomba
Dentro da minha cabeça
E eu não sei falar sobre nada
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Tem você
No meu pensamento seco
Ao acordar
No momento exato
Em que abro os olhos
E percebo que desaprendi a viver
E isso acontece toda manhã
Todos os dias
Quando o dia nasce
Junto com meus
Flertes suicídas
Agarrada na cama
Pensando em morrer
Só um pouco
Mas, aí tem você
E não é que isso me salve nem nada
Ou que seja diferente
De todos os outros homens
Nos quais eu acordei pensando
O que me soa às vezes
Um pouco deprimente
Mas, nada disso importa agora
Porque tem você
Na hora que bate o relógio
Neste dia e ano exatos
Nas histórias que eu coleciono
Mas, não te contei
E é algo que me ilumina
E me sufoca ao mesmo tempo
Pensar que eu tenho subido esta montanha
E isso é tão bonito
Mas, agora eu só queria
Morder o seu ombro
Devagar
E eu gosto de pensar
Que nas minhas botas de escalada
Picareta na mão
Tenho chegado até os picos
Os corações mais altos
Acompanhada da sua imagem
Nem sempre clara
(às vezes, eu não lembro da sua boca)
Mas, tem você
E isso é indecifrável
É como ninar uma bomba
E comer o próprio coração
De garfo e faca
No meu pensamento seco
Ao acordar
No momento exato
Em que abro os olhos
E percebo que desaprendi a viver
E isso acontece toda manhã
Todos os dias
Quando o dia nasce
Junto com meus
Flertes suicídas
Agarrada na cama
Pensando em morrer
Só um pouco
Mas, aí tem você
E não é que isso me salve nem nada
Ou que seja diferente
De todos os outros homens
Nos quais eu acordei pensando
O que me soa às vezes
Um pouco deprimente
Mas, nada disso importa agora
Porque tem você
Na hora que bate o relógio
Neste dia e ano exatos
Nas histórias que eu coleciono
Mas, não te contei
E é algo que me ilumina
E me sufoca ao mesmo tempo
Pensar que eu tenho subido esta montanha
E isso é tão bonito
Mas, agora eu só queria
Morder o seu ombro
Devagar
E eu gosto de pensar
Que nas minhas botas de escalada
Picareta na mão
Tenho chegado até os picos
Os corações mais altos
Acompanhada da sua imagem
Nem sempre clara
(às vezes, eu não lembro da sua boca)
Mas, tem você
E isso é indecifrável
É como ninar uma bomba
E comer o próprio coração
De garfo e faca
terça-feira, 30 de maio de 2017
Fracasso diariamente
Na minha luta com o tempo
Fracasso no caminho
Entre o quarto e o banheiro
Minha romaria de auto-perdão
Fracasso em tentar achar alguma coisa
Qualquer coisa
Que eu diga verdadeira
Fracasso em não ser mais que uma criança
Fracasso em tentar mostrar
O lado brilhante da lua
Uma lua do tamanho dos meus ovários
Um filho ao contrário
Me saindo pela boca
Fracasso em não ser mais
Que uma adolescente melacólica
De camiseta preta e pernas finas
Fracasso em não ter nada para dizer
Em ser vazia flutuando no abismo
Fracasso em manter a cama arrumada
E a cabeça no lugar
Fracasso em comer o tempo
De garfo e faca
Fracasso na estranheza
Nas doenças que me mantêm na cama
Em organizar os documentos
Em não ser tão óbvia
Neste poema
Eu ando de mãos dadas com o meu fracasso
E ando chegando em algum lugar
Algum beco escuro
Algum espaço neutro
Sou inteira um erro
Braços, cabeça
Unhas pintadas de vermelho
Sou inteira fracasso
À imagem torta do próprio Criador
Que fracassou ao cuspir o mundo
Sou um erro original
O espaço de um palmo
Entre dois muros
Na minha luta com o tempo
Fracasso no caminho
Entre o quarto e o banheiro
Minha romaria de auto-perdão
Fracasso em tentar achar alguma coisa
Qualquer coisa
Que eu diga verdadeira
Fracasso em não ser mais que uma criança
Fracasso em tentar mostrar
O lado brilhante da lua
Uma lua do tamanho dos meus ovários
Um filho ao contrário
Me saindo pela boca
Fracasso em não ser mais
Que uma adolescente melacólica
De camiseta preta e pernas finas
Fracasso em não ter nada para dizer
Em ser vazia flutuando no abismo
Fracasso em manter a cama arrumada
E a cabeça no lugar
Fracasso em comer o tempo
De garfo e faca
Fracasso na estranheza
Nas doenças que me mantêm na cama
Em organizar os documentos
Em não ser tão óbvia
Neste poema
Eu ando de mãos dadas com o meu fracasso
E ando chegando em algum lugar
Algum beco escuro
Algum espaço neutro
Sou inteira um erro
Braços, cabeça
Unhas pintadas de vermelho
Sou inteira fracasso
À imagem torta do próprio Criador
Que fracassou ao cuspir o mundo
Sou um erro original
O espaço de um palmo
Entre dois muros
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Eu não sei nada sobre o amor
Além dos poemas que li
Das declarações dos amigos
Sobre como deveria ser
Sobre como eles amam
Tanto e com tanta intensidade
Como se o amor preenchesse
Cada canto escuro de suas vidas
Cada beco
Do inconsciente
Cada comportamento sombrio
Cada obsessão sem sentido
Mas eu
Eu não sei nada sobre o amor
Além dos planos de fuga
Que traço
Enquanto me agarro
Na barra da sua calça
Abraçando suas pernas
O rosto na pélvis
E penso
Em como seria pular as janelas
Dos banheiros
Dos restaurantes que frequentamos
Em como direi
Firmemente
Que não é isso
Não é nada disso
Não era amor
Não assim do jeito que dizem
De verdade
Mas, eu nem acho que eu seja mesmo
Capaz deste amor
Do jeito que eu venho
Me escondendo até então
Fingindo grandes paixões
E arrebatamentos
Corações em chamas
Sozinha no escuro pensando em cair fora
Em escapar pela estrada
Mais próxima
Pra aninhar mais uma vez
A ideia de ser uma outsider
Porque o que eu gosto mesmo
É da ideia de ser uma outsider
Uma praticante do amor livre
Quando na verdade
Eu só quero ser importante
E ter a história mais engraçada
Mais interessante
Para contar
(março/2017)
Além dos poemas que li
Das declarações dos amigos
Sobre como deveria ser
Sobre como eles amam
Tanto e com tanta intensidade
Como se o amor preenchesse
Cada canto escuro de suas vidas
Cada beco
Do inconsciente
Cada comportamento sombrio
Cada obsessão sem sentido
Mas eu
Eu não sei nada sobre o amor
Além dos planos de fuga
Que traço
Enquanto me agarro
Na barra da sua calça
Abraçando suas pernas
O rosto na pélvis
E penso
Em como seria pular as janelas
Dos banheiros
Dos restaurantes que frequentamos
Em como direi
Firmemente
Que não é isso
Não é nada disso
Não era amor
Não assim do jeito que dizem
De verdade
Mas, eu nem acho que eu seja mesmo
Capaz deste amor
Do jeito que eu venho
Me escondendo até então
Fingindo grandes paixões
E arrebatamentos
Corações em chamas
Sozinha no escuro pensando em cair fora
Em escapar pela estrada
Mais próxima
Pra aninhar mais uma vez
A ideia de ser uma outsider
Porque o que eu gosto mesmo
É da ideia de ser uma outsider
Uma praticante do amor livre
Quando na verdade
Eu só quero ser importante
E ter a história mais engraçada
Mais interessante
Para contar
(março/2017)
Assinar:
Postagens (Atom)